Conheça Viridyana Cuba, a mãe do Pedro Cuba que transformou a trajetória do filho em uma luta por muitos superdotados


A história de Viridyana Regis Silva Cuba poderia ser contada apenas como a história de uma mãe que acompanhou de perto o desenvolvimento extraordinário do filho. Mas, ao longo dos últimos anos, essa trajetória ganhou outra dimensão.
Mãe do Pedro Eduardo Cuba, jovem caxiense identificado com altas habilidades/superdotação aos 8 anos, Viridyana passou a compreender, na prática, os desafios enfrentados pelas famílias de crianças e adolescentes com altas habilidades. O que começou dentro de casa se transformou em atuação social e política em defesa de uma população que, muitas vezes, ainda precisa lutar para ser reconhecida.
Advogada, Viridyana também se tornou uma das vozes atuantes na discussão sobre altas habilidades na Serra Gaúcha. Atualmente, preside o Instituto de Superdotação e Altas Habilidades da Serra Gaúcha (ISA), entidade que trabalha com orientação, acolhimento e apoio às famílias. Em agosto de 2026, ela levou essa pauta à Câmara Municipal de Caxias do Sul, defendendo identificação precoce, atendimento educacional adequado e protocolos que orientem famílias e profissionais sobre o que fazer depois da identificação. 
Pedro: o filho que mudou a direção da história
A trajetória do Pedro ajuda a entender por que Viridyana decidiu ampliar sua atuação. Desde pequeno, o menino apresentava interesses e habilidades muito acima do esperado para sua idade. Aos três anos, já jogava xadrez. Aos oito, veio a identificação formal de altas habilidades/superdotação em múltiplas áreas.
A partir daí, a família precisou aprender a lidar com uma realidade que ainda é pouco conhecida por grande parte da sociedade: identificar uma criança superdotada não significa que todos os caminhos estejam prontos para ela.
Pedro passou por aceleração escolar, avançando do 3º para o 5º ano e, posteriormente, do 7º para o 9º ano. Tornou-se o primeiro morador de Caxias do Sul aceito na Mensa, associação internacional voltada a pessoas com alto quociente de inteligência. Também participou de olimpíadas científicas, do programa Pequenos Gênios, da TV Globo, e ganhou reconhecimento por sua participação no Programa Caça Asteroides, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação em parceria com a NASA e a International Astronomical Search Collaboration.
Em 2026, aos 12 anos, Pedro deu mais um passo incomum: começou a acompanhar como aluno ouvinte uma disciplina do curso de Biomedicina do Centro Universitário Uniftec, depois de ter obtido nota máxima no vestibular da instituição. E agora, no mês de agosto, se tornou Embaixador do MCTI. Mas, para Viridyana, a história nunca foi apenas sobre as conquistas do próprio filho.
Quando uma experiência pessoal se transforma em causa
Ao acompanhar Pedro, Viridyana percebeu que muitas famílias percorrem caminhos semelhantes sem saber onde buscar informação, avaliação, atendimento educacional ou orientação.
Foi nesse processo que sua atuação se ampliou. À frente do ISA, ela passou a defender que a identificação de uma pessoa com altas habilidades não pode ser o ponto final de um processo. É preciso existir um caminho posterior, com orientação para a família, formação dos profissionais e políticas públicas capazes de garantir o desenvolvimento desses estudantes.
Em uma recente audiência pública em Caxias do Sul, Viridyana defendeu a criação de um protocolo que estabeleça os passos a serem seguidos depois da identificação de um estudante com altas habilidades ou superdotação.
A preocupação é objetiva: a família precisa saber para onde ir, e o educador precisa saber qual é o próximo passo.
Ela também tem defendido o fortalecimento do Plano Educacional Individualizado, o PEI, e maior articulação entre as redes de ensino, para que as famílias não precisem construir sozinhas o caminho educacional de seus filhos.
O encontro com uma luta que já existia
Foi nesse cenário de busca por informação e mobilização que Viridyana acompanhou, em fevereiro de 2026, a discussão realizada no Senado Federal sobre os direitos das pessoas com altas habilidades e superdotação.
Em fevereiro, o Senado registrou oficialmente o debate sobre identificação precoce e ações pedagógicas para superdotados, colocando no centro da discussão nacional questões que famílias como a de Pedro conhecem há anos.
Viridyana conta que assistir à audiência foi um momento marcante. Foi também ali que ela conheceu Robertha Munique, presidente do Instituto RAISES, que vinha construindo uma atuação em defesa das pessoas com altas habilidades/superdotação.
Segundo Viridyana, aquele encontro despertou algo ainda maior. Ela se emocionou, chorou e afirma ter reconhecido naquela mobilização uma verdade que conhecia pela própria experiência: a necessidade de transformar histórias individuais em uma luta coletiva.
Viridyana já lutava. Já buscava caminhos para Pedro. Já procurava respostas para sua família e para outras famílias que encontrava pelo caminho. Mas, depois daquele momento, decidiu intensificar ainda mais sua atuação.
Duas mães, uma mesma causa
O encontro entre Viridyana e Robertha representa algo maior do que uma aproximação. São duas trajetórias que nasceram de experiências concretas com a realidade das altas habilidades e que passaram a convergir na defesa de direitos, visibilidade, políticas públicas e oportunidades para crianças, adolescentes e adultos superdotados.
Viridyana tornou-se delegada do Instituto RAISES, ampliando a presença da instituição e fortalecendo a articulação entre diferentes regiões do país.
A proposta é construir pontes. Pontes entre famílias, profissionais, instituições de ensino, pesquisadores, organizações da sociedade civil e poder público.
Porque, para quem vive a realidade das altas habilidades, uma das maiores dificuldades não é apenas descobrir que existe uma habilidade excepcional. É encontrar um sistema preparado para reconhecê-la, compreendê-la e oferecer condições para que ela se desenvolva.
A mãe do Pedro agora fala por muitos
A história de Viridyana Cuba começou com uma pergunta que muitas famílias conhecem: “O que fazemos agora?” A resposta poderia ter ficado restrita à própria família. Não ficou.
Hoje, a mãe do Pedro atua para que outras famílias não precisem enfrentar sozinhas aquilo que ela precisou aprender durante a própria caminhada.
Pedro continua construindo sua trajetória, agora entre a escola, a ciência e a universidade. Viridyana, por sua vez, segue construindo outra trajetória: a de uma mãe que transformou a experiência de criar um filho com altas habilidades em compromisso público com milhares de outras pessoas que também precisam ser vistas.
E talvez seja justamente essa a parte mais importante dessa história. Porque Pedro pode ter descoberto asteroides. Mas foi a experiência de acompanhar o filho que levou Viridyana a enxergar algo ainda maior: uma população inteira que precisa ser reconhecida. E, a partir dessa descoberta, ela decidiu não apenas procurar caminhos para o próprio filho. Decidiu ajudar a abrir caminhos para todos


